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Futebol e Política: o que pode acontecer em Honduras

honduras_epa*O texto que segue abaixo foi escrito por Virgílio Franceschi Neto e publicado no site www.universidadedofutebol.com.br.

Em meio a um clima de completa instabilidade política, Honduras conseguiu heroicamente uma vaga na próxima Copa do Mundo, que será realizada na África do Sul. Dependiam de um resultado que aconteceu no último minuto – o empate dos Estados Unidos contra a Costa Rica, na capital estadunidense. Até aí tudo parece conveniente em se tratando de um resultado desportivo. Pode causar estranheza haver falado de futebol e referir-se à instabilidade política. Bom, o futebol tem dessas coisas e caminha junto com a política (Galeano, 1995; Agostino, 2002).

General Roca, antigo presidente argentino, certa vez entrou no vestiário da seleção de seu país em um jogo contra o Brasil, no início do século passado, durante o intervalo. Os argentinos ganhavam. Pedia o General Roca para que não fossem tão duros com os brasileiros, já que os dois países atravessavam um bom período nas relações diplomáticas, que àquela época eram tensas (Agostino, 2002). Talvez seja o primeiro registro na América do Sul do envolvimento da política com o futebol.

O futebol é a modalidade mais popular do planeta (Galeano, 1995). A política trabalha com as massas e o futebol torna-se uma ferramenta para penetrar nessas massas (Foer, 2003). Usar o futebol como instrumento para condução e validação de políticas e obtenção de respaldo popular é comum em todo o planeta (Foer, 2003). Infelizmente acaba por tornar-se um instrumento para desviar a atenção da população, ou seja, alienação. Não se trata de um “privilégio” apenas de sociedades consideradas “subdesenvolvidas” ou “em desenvolvimento”. A euforia do Campeonato Europeu de futebol de seleções em 2004, por exemplo, deixou de lado alguns importantes temas sociais de Portugal a serem discutidos (Pires, 2007).

Exemplos não faltam: o Mundial conquistado pela Itália, em 1934, em pleno regime fascista de Benito Mussolini; o Real Madrid na década de 1950, no auge do governo franquista; a vitória do Irã sobre os Estados Unidos no Mundial de 1998, com direito a pronunciamento do Aiatolá Khamenei pela televisão após a partida (Agostino, 2002). Ações políticas que envolvem (ram) o futebol a fim de promover regimes políticos que iam (vão) de encontro às necessidades e direitos básicos do cidadão, como a liberdade.

Honduras, como se sabe, atravessa um período de instabilidade política e conquistou o direito a participar do Mundial de 2010. Um “prato cheio” para o governo interino daquele país, que pode trabalhar o futebol e a seleção nacional do país como instrumento para manter-se no poder. “Prato cheio” também para o presidente deposto, que, em um caso extremo, pode convocar a população a uma revolta popular que viabilize o seu retorno ao poder.

Jorge Videla, ex-presidente argentino, comentou durante a Copa do Mundo de 1978, realizado em seu país: “Eu não sou um torcedor, não tenho seguido o futebol, não o vivi. O que me interessa do futebol é o que o motiva: as arquibancadas, todo o renascimento que experimenta o país” (Archetti, 2005). Vide o recente exemplo dos jogadores iranianos¹. De um lado ou de outro, podem trabalhar com o futebol. Resta saber como, mas, se quisessem mesmo, já deviam ter começado.

Já dizia Jorge Valdano, antigo jogador da seleção argentina: “O futebol é uma desculpa para sermos felizes”.

Faz-se necessário acabar com isso dentro do futebol. Infelizmente isso nunca deixará de acontecer, afinal, a modalidade atrai as massas, que, com o clube ou a seleção, se identificam, se emocionam e podem se tornar “hospedeiras” de uma opção política.

O futebol sempre será usado como instrumento de condução e manutenção de políticas, mas não nunca manterá governos no poder. O futebol tem dessas coisas: às vezes se ganha, às vezes se perde.

———

¹ Jogadores da seleção iraniana usaram, na partida contra a Coréia do Norte, fitas verdes no pulso, símbolo do candidato adversário ao do presidente, que concorria à reeleição. Esses jogadores foram impedidos de voltar ao país e banidos da seleção nacional (Folha Online, 23 Jun 2009).

2 comentários para “Futebol e Política: o que pode acontecer em Honduras”

  1. helena Cunha helena Cunha disse:

    Muito boa,agora a classificação da França foi uma vergonha .aquele gol do Gallas com um toque de mão do jogador Henry me fez lembrar o de Maradona. Será que essa copa os Franceses vão ganhar na mão grande também ? acredite quem quiser

  2. gabriel gabriel disse:

    que time voce torce

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