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Brasil 4×1 Itália – Copa de 1970: ‘Foi um presente’

O relato do espaço “Máquina do Tempo – Meu jogo inesquecível em Copa do Mundo” dessa semana foi retirado do Diário Lance! do dia 12 de janeiro de 2010. Nele, João Máximo, jornalista veterano em Copas do Mundo, conta como ganhou uma viagem para assistir a final da Copa de 1970, no México, quando trabalhava no jornal “Correio da Manhãâ€.


“O jogo que mais me marcou em uma Copa do Mundo foi a final de 1970, realizada no México. Aquele duelo inesquecível entre brasileiros e italiano no Estádio Azteca foi sensacional. E eu vivi uma situação em especial naquela perdida. Na época, já trabalhava com jornalismo. Era editor do “Correio da Manhãâ€. Mas tem um detalhe: eu não estava no México. Meu jornal mandou apenas os repórteres para a cobertura e eu fiquei no Brasil, na retaguarda.

Só que ocorreu uma surpresa: quando o Brasil derrotou o Uruguai por 3 a 1 no Jalisco, em Guadalajara, e garantiu a classificação para a grande final, os donos do jornal decidiram me dar um presente. E me perguntaram se eu gostaria de viajar para assistir ao jogo.

Não pensei duas vezes. Claro que fui, e, mesmo com um dos pés quebrado, viajei para o México com muita disposição, mas, ao mesmo tempo, uma preocupação incômoda. No avião, não pude deixar de pensar: “O Brasil ganhou 5 jogos sem a minha presença. Portanto, se perder o próximo, eu serei considerado o pé-frio. Não tem como escaparâ€.

Mas, felizmente, a atuação da Seleção Brasileira foi brilhante, tanto tática quanto tecnicamente. E me livrei do fantasma de possíveis gozações. O gol do Carlos Alberto Torres, que fechou a goleada foi um dos mais bonitos que eu já vi na minha vida. Este jogo acabou sendo muito marcante, pois foi o primeiro que eu pude ver em um estádio depois da final dramática da Copa de 1950.

Pude assistir com meus próprios olhos, não com os olhos da televisão ou os ouvidos do rádio, a uma grande vitória do Brasil e, de quebra, ainda pude comemorar a conquista da taça em definitivo. Foi como uma compensação, como se eu ganhasse um prêmio atrasado por ter vivido tanta angústia durante a nossa derrota em casa em 1950. No gol do Pelé – o primeiro – eu já achei que o Brasil iria ganhar. Depois do gol de Gerson, quando fizemos 2 a 1, tive certezaâ€.

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