Brasil (3) 0×0 (2) Itália – Copa de 1994: ‘Soccer? É Copa, meu!’
O Jogo Histórico desta semana é narrado pelo ex-jogador da Basque Oscar Schmidt, que acompanhou a final do Mundial de 1994 no hotel que estava hospedado em Orlando, na Flórida. Acompanhe abaixo o relato retirado na Ãntegra do Diário Lance! desta quarta-feira, dia 17 de março. Nele Oscar conta como os americanos se importavam com a competição e a reação deles ao ver o gigante brasileiro comemorando o Tetracampeonato de Romário e Cia.
“Ninguém duvida que Oscar Schmidt é um brasileiro que vibra como poucos com as vitórias do nosso paÃs. Porém, sua alegria com o tÃtulo da Seleção Brasileira em 1994 fez com que ele perdesse qualquer vergonha de mostrar sua euforia e saÃsse pelas ruas nos Estados Unidos buzinando, bem longe de Pasadena, onde foi disputada a final entre Brasil e Itália. Oscar bem que tentou ir ao jogo, mas não conseguiu. O jeito foi ver a partida pela TV. Embora os americanos não entendessem muito bem o que significava aquele jogo.
- Você acredita que os caras me diziam que estava tendo um evento de soccer nos Estados Unidos? Evento nada, é Copa, meu! E o Brasil vai ser campeão – dizia.
Oscar foi para o quarto do hotel e por lá ficou durante todo o tempo normal do jogo. O empate sem gols levava a partida para a prorrogação. Ele não quis saber de ver nada.
Eu estava com um negócio na cabeça. Vai sair um gol do Baggio, vai sair um gol do Baggio… Saà do quarto e fui passear. Marquei meia hora no relógio. Quando cheguei de volta, estava terminando a prorrogação – lembra.
Oscar não se furtou a assistir aos pênaltis.
- É mais rápido, o sofrimento acaba logo – explicou.
E assim foi feito. Até que, finalmente, Baggio, aquele que Oscar acreditava que faria o gol na prorrogação, acabou perdendo o pênalti que decidiu a Copa do Mundo. Em Orlando, ainda era tarde. Não havia um brasileiro por perto. Mas a comemoração de Oscar aconteceu assim mesmo.
- Rapaz, eu soluçava, gritava. O coração batia forte demais. Foi a primeira Copa que eu vi fora do Brasil. Os americanos no hotel ficavam me olhando, perguntando o que aquele louco estava fazendo. Não quis saber. Peguei o carro e fiz um buzinaço pelas ruas de Orlando. Os caras na rua estavam irritados com aquela barulheira. A maioria não sabia o que estava acontecendo. Ainda bem que a PolÃcia não me parou. Pior que não tinha nem uma bandeira do Brasil. Agora, em época de Copa, é item obrigatório na mala!”



