Bobô

Como falar de Esporte Clube Bahia sem falar de Bobô? Raimundo Nonato Tavares da Silva, apelidado carinhosamente de Tinquin (bicho franzino que habita o sertão), conquistou pelo clube baiano, onde até hoje é ídolo, um dos títulos mais importantes da história do Tricolor. Nascido na cidade de Senhor do Bonfim, a 375 km de Salvador, Bobô começou sua trajetória jogando no Catuense, atualmente na Segunda Divisão do Baiano, por onde esteve dos 17 aos 22 anos de idade.
Em 1984 se transferiu para o Bahia, mesmo após duas lesões nos ligamentos cruzados do joelho esquerdo. Lá, Tinquin ganharia quatro títulos em cinco anos com a camisa do Tricolor: o Tricampeonato Baiano de 86/87/88, deixando para trás seu ex-clube Catuense nos dois primeiros anos e o maior rival Vitória em 1988, e, neste mesmo ano comandado por Evaristo de Macedo o Bahia conquistaria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.
Tanto na primeira quanto na segunda fase do Brasileirão de 88 o Tricolor acabou não se destacando tanto. No primeiro turno ficou em quarto lugar do Grupo B, já no segundo melhorou e ficou em terceiro. Na soma dos dois turnos o terceiro lugar no geral, atrás de Vasco e Internacional, garantia uma vaga na próxima fase. Após passar por Sport nas quartas e Fluminense na semifinal, o adversário na finalíssima seria o Inter de Porto Alegre.
No jogo de ida disputado na Fonte Nova, Bobô foi o nome do jogo fazendo os dois gols da vitória por 2 a 1. Na partida de volta realizada no Beira-Rio, após um empate em 0 a 0 o meia se consagrava no Bahia ao lado de nomes como Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Claudir, Newmar, Paulo Róbson, Paulo Rodrigues, Zé Carlos, Osmar, Gil, Charles e Marquinhos.
No ano seguinte veio a transferência por 1,3 milhão de dólares para o São Paulo Futebol Clube, onde Bobô teve uma curta passagem mas também foi campeão ao conquistar o Paulista de 89 vencendo o São José na final. Se ficasse mais tempo no clube paulista, certamente Bobô teria participado do time Bicampeão Mundial e da Taça Libertadores.
Porém, após uma queda de rendimento, em 1990 o meio-campista foi emprestado para o Flamengo onde teria a miessão de substituir Zico na Gávea. E jogando lá também conquistou um título de expressão: a segunda edição da Copa do Brasil pelo Rubro-negro ao derrotar o Goiás na final. Já no ano seguinte Raimundo Nonato conquistaria seu último título por um clube grande como jogador: a Taça Guanabara de 1991 com a camisa do Fluminense, ao bater o Fla na final.
Em 93 após sair do Flu, Bobô teve passagens curtas e rápidas por Corinthians e Internacional, em 95 voltou para o “Catuca” (apelido carinhoso para o Catuuense) e encerrou sua carreira em 1997 com a camisa do Tricolor Baiano. Pela Seleção Brasileira apenas disputou três partidas, sem marcar nenhum gol. Entretanto, no auge de sua carreira, foi o primeiro jogador baiano a ser convocado para a seleção brasileira de futebol diretamente de um clube do estado.
Ainda como jogador, dois prêmios importantes: duas bolas de Prata da Revista Placar em 88 e 89. Após encerrar a carreira, o ex-jogador foi técnico do Bahia, onde conquistou a Copa do Nordeste de 2002, chegou a apresentar o programa Esporte Total Bahia e, atualmente, Bobô é Diretor Geral da SUDESB (Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia).



